E os amores se manifestam de formas muito variadas. Amamos pais, mães, irmãos, amigos, amigas, pessoas que acabamos de conhecer. Amamos porque nos ajudaram, amamos por que nos fazem sorrir, amamos por que nos acompanham em momentos difíceis. Não importa quem, quando ou porque. Amamos.
Por muito tempo achei que tinha perdido o gosto pelo amor. Por muito tempo o vi passar por mim, em suas diversas formas e ignorei a importância dessa diversidade.
Então me chegou um amor de verão, como uma tempestade. Ele armou no céu por muito tempo e quando chegou, chegou com raios, trovões, granizo e vento forte. Esse amor passou danificando tudo que eu tinha em mim. Fiquei em ruínas, sem forças pra reconstruir.
E aos poucos fui remontando os pedaços do meu coração e da minha cabeça. Fui colando os cacos de vidro do que restavam do meu emocional. Passei outono e inverno trabalhando pra botar tudo em ordem.
Eu pensei que precisaria me reconstruir por muito tempo, mas a primavera me preparava uma surpresa e eu nem desconfiava.
Numa noite de chuva leve, numa festa meio ruim, me chegou um amor de primavera. Desses, com prazo de validade.
Mas chegou na tranquilidade e me envolveu com um abraço acolhedor. Me fez rir de novo, me fez esperar coisas boas da vida, me fez ver flores no concreto cinza. Foi confuso, não nego. E teve seus momentos difíceis. Mas não devastador. Foi suave.
Por sua leveza, o amor de primavera não me causou desespero algum, mesmo diante do fim que se aproximava. Pois era assim que tinha que ser.
Nem sempre poderemos podemos mover céus e terras por um amor de estação do ano. Lição fácil de entender, difícil de sentir. Mas é importante manter isso em mente.
Esse amor de primavera veio, sem saber de sua missão, me tirar da difícil tarefa de colar meus pedaços destruídos no verão. Ao me distanciar dessa árdua tarefa, percebi que meus cacos já estavam se juntando naturalmente e que lutar para colá-los só deixava viva a memória da tempestade do amor de verão.
Hoje me sinto novamente inteira. E me sinto novamente viva. Me sinto atenta aos meus pequenos e grandes amores, àqueles que caminham comigo nessa jornada maluca que é a vida. Me sinto agradecida ao ao amor de verão, que não sabe o quanto me ajudou em tão pouco tempo. Sua passagem aqui serviu pra que eu visse que, na verdade, eu precisava voltar a viver pra me reconstruir.
Meu amor de primavera vai embora e não vai mais voltar. E eu fico aqui, não esperando outro amor de estação, esperando continuar experimentando a vida com amor, em todos os sentidos possíveis.
No fim das contas é isso, os amores, em toda a sua diversidade, vem e vão. Mas eu fico. E eu não quero ficar me reconstruindo e catando pedaços. Eu fico, e fico mais disposta a sentir as coisas boas da vida, a trocar experiências e a amar, amar muitas pessoas ainda.
Obrigada amor de primavera, que você se lembre de mim com tanto carinho quanto eu vou me lembrar de você.
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