Vou começar do agora, da sensação de aperto que eu estou sentindo dentro de mim.
Ele não vai embora sozinha, talvez se eu dormisse ela passasse. Mas eu já dormi umas 12 horas hoje e a única forma de dormir agora seria sob o efeito de alguma droga.
E aí eu fiz um café, o café tem sido minha maior companhia nos últimos meses.
Decidi também escrever. Sem pensar muito no que estou escrevendo. Isso pra mim é difícil pois um milhão de sensações bizarras passam pelo meu corpo no momento e eu tento organizá-las, o que só piora o aperto;
Desliguei a internet do meu celular e botei ele no modo avião depois de passar umas duas horas olhando para ele, lendo as mesmas coisas, vendo os mesmos vídeos e esperando que algo diferente aconteça. Sinto que o celular, o facebook, o whatsapp e o instagram me deixam mais ansiosa que tudo nesse mundo..
Como agora tenho spotify offline consigo botar minha playlist de músicas nostálgicas pra tentar me reconectar com a parte de mim que um dia se sentiu feliz em habitar esse mundo.
Porque a Lays de agora não se sente feliz habitando este mundo. O que é muito doido, já que ela pode morrer a qualquer momento de um acidente ou doença bizarra e ela morre de medo de morrer.
Mas ao mesmo tempo essa mesma Lays se olha no espelho e vê uma imagem um tanto quanto normal e um tanto quanto não normal. Passei mais de cinco minutos me olhando e tentando entender porque eu me vejo normalmente mas, ao mesmo tempo, não me sinto conectada com aquela imagem.
Aí eu resolvo olhar pra outras coisas e elas parecem normais e ao mesmo tempo parecem algo inventado, surreal. Do copo às fotos na parede, tudo tão normal, mas tudo meio estranho.
É nesse ponto que começo a perder a cabeça e me afundar pensando em quanto eu sou insignificante, que nem eu mesma me reconheço, nem eu mesma gosto de mim, nem eu mesma me suporto.
E eu não me suporto mesmo. Não quero mais ser eu.
Queria ser qualquer outra pessoa em qualquer outro lugar com qualquer outra coisa na cabeça que não fossem as coisas que ficam pairando na minha.
Eu queria me apagar completamente do planeta, desde o meu nascimento.
Esses dias no ônibus viajei pensando que, se eu nunca tivesse existido, muitas das vidas ao meu redor não só continuariam normalmente, como também poderiam ter sido melhores.
E é tão louco isso, dentre as poucas pessoas dispostas a me ajudar, eu me encontro fugindo delas. Com medo de que elas possam chegar a um limite e nunca mais quererem me ver na vida.
Porque eu tenho certeza que elas já estão cansadas de mim.
E aí eu passo os dias como um robô programado cumprindo uma carga horária de trabalho programada que lamenta não poder se desligar completamente da tomada quando não está sendo útil.
Eu só posso desligar parcialmente. Me encher de alguma coisa que deixe mole, sonolenta e desconectada do meu eu.
E esperar que meus horários de trabalho recomecem para poder reagir de novo.