quinta-feira, 27 de março de 2014

Coisas guardadas

Tantas coisas eu ando guardando
E andava bem confortável guardá-las
Acho que eu só sei lidar com extremos: raiva total ou amor total
Não sei lidar com o meio termo, com o equilíbrio
Não sei de nada na verdade
Só sei que deve ser fácil ficar só com o lado bom das coisas
Enquanto eu fico só com o lado ruim
E é nessa hora que vem a raiva e a vontade de forçar coisas ruins, só pra que não seja bom pra você.
Porque, por mais que eu me esforce, ainda tá ruim.
A ferida já não dói tanto, mas ela coça
E coceira incomoda
E é constante
E eu tento me livrar, eu tento ignorar, mas ela permanece, contante e presente.
Presente em imagens mentais.
A minha vontade era de arrancar toda essa parte de mim que sente todas essas coisas que eu não quero sentir.
E te entregar tudo e dizer: se vira.
Porque eu não sei no que eu me transformei pra aguentar toda essa bagunça até agora
Só posso dizer que ainda não tá bom.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Esvaziando minha cabeça.

Preciso desabafar, preciso descarregar, preciso gritar aqui uns minutinhos.
Porque o tempo anda passando muito depressa e são muitas coisas pra fazer.
Assumi muitas responsabilidades, muitas tarefas e novos desafios continuam se jogando em cima de mim. E eu tenho que aguentar, tenho que saber lidar, tenho que fazer.
Nunca considerei o "crescer" como uma tarefa fácil. Sempre pensei muito sobres os vários processos que envolvem as transformações que sofremos ao longo da vida.
Agora estou num nível bem crítico do meu processo de amadurecimento: muita coisa, pouco tempo. Muito pensamento, pouco espaço na cabeça. Preciso parar uns minutinhos e vomitar minhas angústias aqui.
Uns minutinhos mesmo, pois estou digitando muito rápido, porque preciso dormir. Dormir pra acordar cedo e correr atrás de várias coisas e não parar nem pra respirar até a hora de dormir de novo.
E eu estou meio doente, minha garganta não vai bem. Mas não dá pra parar agora, tenho que seguir até dia primeiro de abril nessa correria, preciso conseguir, vou conseguir. Vou mostrar pra mim mesma que dá, que eu sou capaz. Vou mostrar pra todo mundo que eu consigo administrar todas essas responsabilidades sem enlouquecer, vou sim.
Parece fácil ser adulto e ter um emprego, parece meio chato. Mas não é fácil, nem chato. É uma loucura, uma correria e é um caminho sem volta.
Vai dar tudo certo, certeza. Só precisava esvaziar minha cabeça aqui. Esvaziou um pouco.
É isso, vou fazendo as coisas e vai dar tempo.
Espero que dê tempo.

domingo, 16 de março de 2014

Um desabafo sobre escolhas.

A gente escolhe. 
Não nascer, isso a gente não escolhe.
Depois que a gente cresce é que a gente começa com essa coisa de escolha.
E quanto mais a gente cresce, mais complicado vai ficando.
Porque a gente vai começando a entender esse processo. E entender esse processo torna ele bem mais difícil.
Mas quanto mais o tempo passa, mas somos obrigados a escolher. 
Eu precisei escolher muitas coisas no pouco tempo que se passou desse ano. 
Uma delas era totalmente assustadora, imprevisível, mas optei por segui-la e o resultado foi melhor do que o esperado. 
A outra era mais complexa e envolvia muita coisa e eu escolhi não me deixar levar pelo meu medo do futuro.
Eu arrisquei.
E o resultado não foi tão legal.
A gente é obrigado a escolher e aguentar as consequências das nossas opções. 
Que podem ser bem dolorosas.
Mas a realidade é que a gente nunca para de escolher nessa história toda.
E tomar consciência sobre o processo de escolha pode ser bem esclarecedor.
E a gente pode escolher o caminho mais doloroso e se afogar em sofrimento.
Ou a gente pode escolher esse mesmo caminho e lutar contra a dor.
Porque, tenho sentido que, em algum ponto, eu escolho sentir essa dor.
Porque eu permiti que algo me atingisse no estômago com a força de um soco. 
Mas agora eu escolhi que não quero mais isso.
E talvez essa última escolha consiga tirar o peso das coisas. 
E talvez eu consiga seguir pelo caminho que me parecia mais doloroso.
Mas que só vai ser assim se eu permitir.
E acho que é essa a conclusão: eu não vou mais permitir que as coisas consigam me atingir. 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Vomitar sentimentos

É preciso, de vez em quando, vomitar sentimentos
E dá pra fazer isso de muitas formas
Eu vomito meus sentimentos quando grito uma música
E quando escrevo
Eu também vomito quando fujo das pessoas por dois minutos
Pra respirar, contar até dez 
Derramar umas quatro lágrimas, lavar o rosto
E fingir que tudo continua ótimo
Eu preciso disso
Porque às vezes transborda
E eu perco o controle
Eu vomito meus sentimentos nas palavras
Que mesmo que mal escritas e cheias de erros ortográficos
São o meio menos danoso de me livrar de todo o peso
Eu vomito meus sentimentos quando dizê-los não faz mais sentido
Pois vai ser repetitivo e cansativo para o ouvinte
Porque já está cansativo e repetitivo pra mim
Eu vomito porque sei que quem colocou isso dentro de mim
E fui eu
E só eu posso por pra fora
Do meu jeito distorcido e confuso
Eu vou continuar vomitando eles na escrita porque ninguém vai ser obrigado a ouvir
Quem quiser, vai ler
Quem não quiser, não vai precisar
Eu estou vomitando tanto aqui porque estou cheia
E antes eu estava vazia
Só que eu cansei do cheia
E acho que o copo meio vazio é melhor


terça-feira, 11 de março de 2014

Diálogo com o monstro que mora na minha caixa torácica.

EU: Hey monstro que mora dentro da minha caixa torácica! Você poderia parar de se remexer um pouco?
MONSTRO: Não, não posso.
EU: E porque não?
MONSTRO: Porque eu estou com fome!
EU: Mas eu comi hoje, até café da manhã eu tomei! Almocei e jantei...
MONSTRO: Você sabe que eu não tô falando disso. To com fome das boas coisas.
EU: Ah.. sei. Olha só...
MONSTRO: Olha só nada! Lá vem você com suas desculpas! Você me enche de sentimentos tranquilos por mais de dois anos. Eu vivi bem, me alimentei só de coisa positiva por tanto tempo e agora você vem com isso! Isso tá me deixando enjoado e irritado.
EU: Cara, o lance é o seguinte: você, que vive aí no meu estômago ou perto do meu coração... sei lá exatamente onde. Você deveria conversar um pouquinho com o monstro que vive no meu cérebro...
MONSTRO: Nem dá ideia errada. Aquele cara não sabe de nada. Ele fica arrumando explicação pra tudo, justifica tudo e se acha todo sabido. Ele não sabe o que é coisa boa! Ele não sabe o que é tranquilidade e felicidade. Ele fica só calculando possibilidades com aquelas linhas do tempo que ele inventa.
EU: Calma aí monstro. Respeite o seu companheiro, vocês moram no mesmo corpo.
MONSTRO: Respeito nada, ele não me respeita. Você acha que eu não sei que é ele que te mostra as imagens mentais que te desagradam? Você acha que a culpa é minha, mas na verdade eu só aproveito as coisas boas. Quando não tem coisa boa nova, eu fico quieto na minha, ruminando as coisas boas antigas... Mas você e o cara que vive no seu cérebro! Vocês dois ficam me mandando essas expectativas ruins, essas imagens mentais piores ainda e todo esse... ressentimento! Que nojo! Vocês não podem achar que eu vou engolir isso calado.
EU: Mas Monstro, você tem que entender que eu preciso desses sentimentos de agora para poder te alimentar com coisinhas melhores no futuro.
MONSTRO: Eu entendo bem, mas realmente não tá dando pra digerir as coisas que vocês tem me mandado. Elas me fazem querer sair gritando por aí e já que você não colabora...
EU: E o que você espera? Que eu saí dando o seu grito por aí? Que eu vomite todas essas coisas sem pensar? Que eu me exponha a esse nível? Você sabe que eu não vou deixar você fazer isso comigo.
MONSTRO: Eu sei e é por isso que eu fico gritando e fazendo você se sentir como alguém que acabou de levar um soco na barriga. Enquanto você me alimentar com essas coisas ruins, eu vou gritar e espernear e te incomodar.
EU: Sem chances de dar um pausa na hora do trabalho?
MONSTRO: Nesse ponto eu te digo que eu tento não te incomodar, mas às vezes não rola... você sabe também que eu prefiro me remexer quando você vai dormir, porque aí você fica toda revoltada e eu fico rindo de você.
EU: Você é realmente mau.
MONSTRO: Sou nada. Você que me criou, você que me despertou. Por muito tempo você me guardou aqui invisível e eu me comportei super bem. Mas aí vem você e os seus dramas, seus sonhos, suas vontades e me acorda! Pra depois me jogar todas as porcarias que restaram dessa bagunça (que você mesma causou com o cara que mora no cérebro) e achar que eu vou ficar de boa? Não vou não. Vou me rebelar! Enquanto vocês não pararem com as...
EU: Com as imagens mentais, eu já sei.
MONSTRO: Enquanto vocês não pararem de tentar me obrigar a digerir essas coisas, eu não vou parar com a minha revolta.
EU: Monstro, você sabe que não vai ser fácil me livrar dessas coisas, não sabe?
MONSTRO: Sei sim.
EU: E você também sabe que eu estou tentando, não sabe?
MONSTRO: Sei sim.
EU: Então saiba que não é hoje que eu vou parar te enviar essas cosias das quais você não gosta.
MONSTRO: Então saiba que eu vou continuar me remexendo e gritando até você se resolver.
EU: Estamos ferrados, então. Espero que o monstro que vive no meu cérebro tenha escutado a nossa conversa e se manifeste em algum momento.

domingo, 9 de março de 2014

Sobre palavras e leveza

Algumas palavras ficam entaladas na garganta, como se não quisessem sair de dentro de nós. Acho que elas sabem o poder que tem de destruir e construir, por isso, elas se seguram e não se soltam facilmente.
Mas aí vem a questão que me incomoda: quem foi que possibilitou que as palavras se tornassem tão poderosas? Fomos nós, as pessoas. 
O tempo todo nós descarregamos sentimentos em palavras, os bons e os ruins, o que faz com que, na minha opinião, elas fiquem pesadas. E a gente saí por aí, carregando tantas palavras não ditas, com medo do peso e da força que elas tem. 
Acredito que precisamos tomar cuidado com as palavras, principalmente com as que tem um potencial muito grande de machucar e destruir. 
Mas acredito, também, que devíamos ter um pouco menos de cuidado com as palavras que existem pra construir, pra agradar e pra demonstrar boas coisas. Essas se tornaram pesadas também e eu não consigo enxergar o porquê disso agora. 
O meu incomodo de hoje começou quando percebi que as palavras boas ficam entaladas e as ruins saem com mais facilidade. Queria poder excluir todas as palavras ruins e pesadas de dentro de mim.
Queria que as palavras boas saíssem com mais leveza e que nunca mais se escondessem com medo do mal que podem causar por conta do peso que vem sendo depositado sobre elas no mundo. 
Queria dizer pra todas as pessoas queridas o quanto eu gosto delas sem que isso parecesse estranho ou coisa de bêbado.
Queria não, quero. 
Vou exercitar a leveza das minhas boas palavras na convivência com os outros. 
Porque a "vibe" de hoje é encarar a vida com mais leveza. 
E é preciso começar logo. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

O despertar de um dia cinza.

Hoje eu acordei cinco horas da manhã, com uma sensação horrível no meu estômago. 
Era o excesso de álcool dessa vez. Que bom. 
Tentei voltar a dormir, encarando as paredes e meus pensamentos, até que essa luz cinza começou a aparecer. 
Primeiro numa fresta, por baixo da cortina e eu fiquei confusa. Eu não sabia por quanto tempo eu já estava acordada e achei que algum aparelho da casa tivesse ligado sozinho. 
O cinza foi tomando a casa aos poucos e eu fiquei lutando contra a força dessa cor que queria me tomar também. 
Até que eu não resisti. 
Levantei. Abri a cortina e encarei esse cinza todo. 
E é engraçado como o cinza é frio e desconfortável. 
Mas é fato que, às vezes, precisamos encarar o cinza.
Encarei essa que, pra mim, é uma não-cor. 
Deixei que por alguns minutos ela me tomasse e me descolorisse. 
E aos poucos ela foi sugando o meu vermelho, o meu azul, o meu amarelo, meu verde, meu rosa e todas as outras cores que haviam dentro de mim. 
Deixei o cinza me esvaziar, deixei o cinza tomar conta. 
Enquanto a cidade e as pessoas revivem as cores do carnaval que termina. 
Eu mergulho no cinza. 

Parecia impossível voltar a dormir dentro dessa não-cor. Então eu apelei, liguei a velha tv de tubo da minha casa e me concentrei nas cores do jornal que dá bom dia. E fui apagando, na esperança de acordar e encontrar o dia um pouco mais colorido, quando o dia chegasse na metade. 
E tornei a encontrar o dia cinza. 

E hoje é quarta-feira de cinzas. 

domingo, 2 de março de 2014

Inconsciente monstro

Hoje eu tenho certeza que meu inconsciente é um monstro bem grande e feio que mora no meu estômago.
E que ele ta mastigando minhas entranhas.
E que eu preciso destruí-lo.