sábado, 20 de maio de 2017

Como eu me sinto agora

Ia começar do começo mas desisti. 
Vou começar do agora, da sensação de aperto que eu estou sentindo dentro de mim. 
Ele não vai embora sozinha, talvez se eu dormisse ela passasse. Mas eu já dormi umas 12 horas hoje e a única forma de dormir agora seria sob o efeito de alguma droga. 
E aí eu fiz um café, o café tem sido minha maior companhia nos últimos meses. 
Decidi também escrever. Sem pensar muito no que estou escrevendo. Isso pra mim é difícil pois um milhão de sensações bizarras passam pelo meu corpo no momento e eu tento organizá-las, o que só piora o aperto; 
Desliguei a internet do meu celular e botei ele no modo avião depois de passar umas duas horas olhando para ele, lendo as mesmas coisas, vendo os mesmos vídeos e esperando que algo diferente aconteça. Sinto que o celular, o facebook, o whatsapp e o instagram me deixam mais ansiosa que tudo nesse mundo.. 
Como agora tenho spotify offline consigo botar minha playlist de músicas nostálgicas pra tentar me reconectar com a parte de mim que um dia se sentiu feliz em habitar esse mundo. 
Porque a Lays de agora não se sente feliz habitando este mundo. O que é muito doido, já que ela pode morrer a qualquer momento de um acidente ou doença bizarra e ela morre de medo de morrer. 
Mas ao mesmo tempo essa mesma Lays se olha no espelho e vê uma imagem um tanto quanto normal e um tanto quanto não normal. Passei mais de cinco minutos me olhando e tentando entender porque eu me vejo normalmente mas, ao mesmo tempo, não me sinto conectada com aquela imagem. 
Aí eu resolvo olhar pra outras coisas e elas parecem normais e ao mesmo tempo parecem algo inventado, surreal. Do copo às fotos na parede, tudo tão normal, mas tudo meio estranho. 
É nesse ponto que começo a perder a cabeça e me afundar pensando em quanto eu sou insignificante, que nem eu mesma me reconheço, nem eu mesma gosto de mim, nem eu mesma me suporto. 
E eu não me suporto mesmo. Não quero mais ser eu. 
Queria ser qualquer outra pessoa em qualquer outro lugar com qualquer outra coisa na cabeça que não fossem as coisas que ficam pairando na minha. 
Eu queria me apagar completamente do planeta, desde o meu nascimento. 
Esses dias no ônibus viajei pensando que, se eu nunca tivesse existido, muitas das vidas ao meu redor não só continuariam normalmente, como também poderiam ter sido melhores. 
E é tão louco isso, dentre as poucas pessoas dispostas a me ajudar, eu me encontro fugindo delas. Com medo de que elas possam chegar a um limite e nunca mais quererem me ver na vida. 
Porque eu tenho certeza que elas já estão cansadas de mim. 
E aí eu passo os dias como um robô programado cumprindo uma carga horária de trabalho programada que lamenta não poder se desligar completamente da tomada quando não está sendo útil. 
Eu só posso desligar parcialmente. Me encher de alguma coisa que deixe mole, sonolenta e desconectada do meu eu. 
E esperar que meus horários de trabalho recomecem para poder reagir de novo. 


domingo, 23 de abril de 2017

Tentativa

Há aproximadamente dez anos atrás, eu usava esse espaço como uma forma de terapia. Não sei porque, mas despejar o que eu pensava e o que eu sentia para um público, em sua maior parte desconhecido, de alguma forma me ajudava a me organizar internamente.
Hoje eu venho aqui como um último recurso. Desesperada para me organizar internamente.
Não sei exatamente quais eram minhas expectativas há dez anos, mas sei que a maioria delas se perdeu nesse caminho.
E junto com elas eu me perdi também, num nível em que eu nunca tinha me perdido antes.
Tenho experimentado nos últimos dias uma sensação muito ruim de caos, que faz com que eu sinta que algo dentro de mim está completamente quebrado. Queria que fosse só um drama de coração partido, mas o que está quebrado envolve todo o meu ser. Talvez seja o que as pessoas chamam de alma.
E eu não tô sabendo lidar com esses fragmentos, há dias, como hoje, em que só pensar já é um esforço tão grande que eu quero desistir.
Mas desistir de que? Se mal consigo pensar em qualquer coisa simples.
Eu relaciono essa sensação de estar quebrada com a minha existência, cujo sentido se perdeu em algum ponto da minha trajetória.
Eu lembro que a vida fazia sentido, mas não consigo me lembrar qual era esse sentido.
Agora eu sinto como se nada fizesse sentido: escrever não faz sentido, trabalhar não faz sentido, comer não faz sentido, existir não faz sentido.
Quando penso no não sentido da existência, eu sinto uma coisa bizarra, uma sensação de que nada perto de mim é real. O copo de café que estou tomando é uma mentira, o cigarro que eu estou fumando é uma mentira, meu corpo é uma mentira.
E eu me afundo na cama tentando ao máximo realmente não existir.
Como se fosse possível.
Aí vejo que fingir não existir não é o mesmo que não existir.
E penso em alternativas para não existir de fato.
Mas não adianta, porque eu não quero deixar de existir a partir de agora. O que eu queria era nunca ter existido.
Eu queria me apagar do universo, da vida de todas as pessoas que me conhecem, para que elas não tenham que saber ou sofrer pela minha não existência.

domingo, 8 de maio de 2016

Sobre a minha mãe e o feminismo.



Há tempos penso nesse texto e não encontro a inspiração ou a disposição para escrevê-lo. Hoje, dia das mães, com tantas conversas sobre maternidade, feminismo e empoderamento das mulheres aparecendo no meu contexto, sinto que chegou a hora de fazer essa singela homenagem à minha mãe, Selma Maria Pereira

Todas nós temos aquela música, receita, foto, roupa herdada ou algo que, de forma concreta ou não, nos lembram das nossas mães. Dá minha mãe eu lembro quando escuto Girls just wanna have fun da Cyndi Lauper, ou quando alguém está debatendo apocalipse e invasão alienigena. Mas dentre tantas lembranças que nem caberiam num texto, a principal coisa que vem à minha cabeça quando penso em dona Selma Maria é a frase "Estuda, minha filha. Estuda que é pra você não depender de homem nenhum nessa vida."
Lembro-me dessa frase desde criancinha, quando minhas amigas tinham que lavar louça, limpar casa e cozinhar e eu nem podia fazer nada disso, eu tinha que sentar e estudar. Quantas vezes eu ouvi das minhas amigas que eu não sabia fazer nada, que eu nunca ia conseguir cuidar da minha casa e que era uma vergonha não saber cozinhar.
Minha mãe sempre manteve seu discurso firme: enquanto eu puder cuidar da casa, você vai estudar. Que privilégio o meu tê-la em minha vida. Privilégio que ela nunca teve na minha idade, já que por ser filha da amante de um fazendeiro, não receber pensão ou nenhuma ajuda do pai alcoólatra, ela teve que largar o ensino fundamental para trabalhar. De babá, de empregada, em loja... Minha mãe, junto com minha avó e minhas duas tias, não tiverem condições de estudar, pois precisavam comer e morar em algum lugar.
Na minha adolescência ela foi minha melhor amiga e minha maior incentivadora pra tudo. Quando eu queria namorar e meu pai, com seus 6 sobrinhos homens que tinham namoradas da minha idade, foi criar caso, ela defendeu e disse que eu podia namorar também. Ela sempre soube de todos os meus segredos e sempre me apoiou e as mesmas regras que se aplicavam à mim em casa, se aplicavam aos meus dois irmãos.
Quando comecei a estudar para o vestibular, ela nunca duvidou de mim, ao contrário de muitas pessoas da família, das amigas dela, dos meus professores e das minhas professoras, ela sempre me dizia que um dia eu ia conseguir. No dia em que eu passei, em meio ao chororô do meu pai que dizia “Eu achava que você só ia sair de casa pra casar.”, ela disse “Pois eu prefiro que ela saia pra estudar.”.
Seis anos se passaram desde que eu morava com minha mãe, hoje ela mora em Minas e eu aqui em Brasília. Eu me formei, tenho o trabalho do qual amo e no qual acredito, posso estudar, vou pra festa e faço o que eu quiser da minha vida.
Em seis anos eu ligo pra ela ou ela me liga praticamente todos os dias, pra saber como foi o dia e ouvir ou contar novidades.

"Estuda, minha filha. Estuda que é pra você não depender de homem nenhum nessa vida."
Eu não dependo de homem nenhum. E além de tudo estou descobrindo que isso que você me ensinou desde tão cedo rende muito estudo e chama-se feminismo. Existem mulheres que hoje em dia desenvolvem teorias, pesquisas e projetos em cima do conceito dessa frase, que você, sem ter nem o ensino fundamental, compreendeu com base na sua experiência de vida. Você nunca precisou ler Simone de Beauvoir pra ser um exemplo da luta feminista pra mim, você fez sua parte me educando e educando o meu pai, hoje tão tranquilo e incrível, além de educar também meus dois irmãos. Você não faz ideia de quem seja essa mulher que eu mencionei e pra ser sincera, por enquanto nem eu, mas eu vou pesquisar pra você e eu vou estudar o que você nunca pôde estudar por falta de oportunidade. E pode deixar que eu vou dar um jeito de te explicar as coisas de uma forma que você compreenda, como eu sempre tento fazer nas férias quando você me conta as fofocas da família e eu fico indignada com a diferença de tratamento entre as meninas e os meninos.

Hoje em dia eu detesto a sensação de depender de qualquer pessoa, mas principalmente de homens. Me ofende um cara querer pagar algo pra mim e tenho até certos problemas em me relacionar por não querer depender nem emocionalmente de ninguém (essa parte eu trato depois na terapia, quando criar coragem pra fazer). Eu aprendi a me virar sozinha, eu aprendi que estudar é bom, me encontrei profissionalmente e distribuo um pouquinho desse feminismo da dona Selma Maria pras alunas e pros alunos que passam pela minha sala de aula.
Ah! Eu aprendi também a cozinhar (muito bem, obrigada) e cuido da minha própria casa há muitos anos (que é minha mesmo, não do meu marido). Moral da história: a louça que minha mãe não me deixou lavar não fez falta e quando tenho medo de usar a panela de pressão eu ligo pra ela, que me ensina e monitora esse uso, mesmo à distância. Essas coisas a vida ensina, como dona Selma mesma diz. Já o empoderamento que hoje sinto que tenho nunca existiria se ela não insistisse tanto para que eu estudasse e não dependesse de ninguém.

Agora, me dirijo diretamente aos poucos homens que eu sei que vão ler isso aqui: um dia um amigo meu saiu falando aí numa rede social que respeita muito o feminismo da Simone de Beauvoir, mas que acha que esse movimento das minas na internet não é esse feminismo. Quem são vocês pra julgar o que é feminismo ou não? Se o feminismo da internet não é válido, vocês tão tentando anular o feminismo da minha mãe também, que nem sabe o que isso quer dizer, mas sabe o que fazer na hora de formar uma feminista maluca que não vai ficar de boa com homem cagando regra sobre uma coisa que só as mulheres viveram, vivem e ainda vão viver. Respeitem as minas e sintam-se à vontade para perguntar sobre o feminismo, mas tomem cuidado com as afirmações de vocês. Cês podem estudar teoria feminista o quanto cês quiserem, mas nunca vão ter a experiência de ser mulher. Nunca vão ser tão sábios nesse sentido quanta dona Selma Maria Pereira.


Ps: Desculpem a simplicidade do texto, tem tanta coisa que sinto que não consegui expressar ainda. A musiquinha é a favorita da minha mãe <3 

domingo, 29 de novembro de 2015

Um desabafo sobre amigos secretos, sobre culpas e sobre ser mulher.


Hoje, tava aqui de madrugada pensando na conversa que tive com minha amiga Karol Beckman​ sobre abuso e violência contra a mulher quando me deparei com o vídeo que estou postando aqui. Para as meninas que quiserem assistir, ele é um tanto pesado, num sentindo emocional e o achei bem forte, mas valeu a pena ver.




O texto é longo mesmo e foda-se se você não gosta de textão é só não ler.
Mas a moral da história é que hoje desenterrei uma situação de abuso que aconteceu no meu passado (não muito distante, mas também não muito recente), a qual eu não estou afim de expor aqui. Na verdade, eu raramente estou afim de expor essa situação. E é bem verdade verdadeira é que eu só consegui conversar sobre o assunto com uma pessoa até hoje. Aí parei para pensar nos motivos pelos quais eu não consigo falar sobre isso. Não sei se foi porque foi com alguém relativamente próximo, se foi por vergonha de narrar a situação. Sei que no dia que ocorreu eu só pensava que eu dei motivos para isso acontecer e que na real eu estava sendo sensível de mais por me importar com essa situação.
Mas sei que no dia eu me senti suja e usada, eu senti muita vergonha de mim mesma, já que ninguém sequer sabia o que tinha rolado. Eu chorei escondido no banheiro, eu voltei pra casa sozinha muito desesperada.
E permaneci achando que eu tinha dado motivos para que aquela situação acontecesse. E talvez essa parcela de culpa que eu acho que tenho é o que me faz manter certo silêncio até hoje.
Ai eu penso que não precisei de nenhum #meuamigosecreto pra ter acesso a relatos de outras mulheres, muito pelo contrário. Quantas vezes ouvi relatos de amigas próximas sobre situações de abuso que elas sofreram, narradas como algo normal, que acontece, porque ela tava bêbada, porque ela pediu, porque afinal, se você se coloca numa situação sozinha com um cara na real você tá dando motivos para ele fazer o que quiser com você.
Que loucura, não? É muito louco isso. Tá tão marcado dentro da gente que é tratado como normalidade por  ninguém menos que nós mesmas.
No vídeo da Jout Jout ela chama: "vamos fazer um escândalo" .Não fizemos um escândalo tão grande com o uso do #amigosecreto, na minha opinião, fizemos um barulhinho. E vejo, por parte das mulheres, respostas positivas, por parte de muitos homens, comentários do tipo "ah mas não pode estragar a vida do cara por causa de uma coisa que ele fez bêbado há cinco anos atrás.".
Mas a nossa vida pode estar estragada, a gente pode se sentir um lixo humano em inúmeras situações. Nem sei se conheço uma mulher que possa afirmar com todas as letras e com sinceridade no coração que nunca sofreu um abuso. Mas não podemos falar nada, nem usar uma hashtag nas redes sociais que já estamos exagerando.
Meu povo, se eu quisesse exagerar, o bicho ia pegar. E minha situação é bem tranquila perto de outras histórias que eu conheço.
Amigos homens, vocês que tem irmãs, filhas, tias, primas, mães, saibam: elas sofrem todo o tipo de violência que vocês consideram exagero. E elas sofrem caladas.
Eu sofri calada a situação que eu passei. Eu permaneço calada, mas esse texto foi uma forma de criar coragem para expor minimamente como eu me senti. Eu não me sinto segura para expor minha situação. Eu tenho medo e vergonha. Eu sou uma mulher que foi reprimida a ponto de ter consciência da importância de “fazer um escândalo” e ficar engasgada com as palavras mesmo assim. A minha vida foi e sempre vai ser marcada pela culpa que o machismo me ensinou que eu tenho e eu posso me esforçar pra discursar contra isso e defender uma posição contrária. Mas a forma como eu me sinto é profundamente marcada pela culpa. A culpa que eu sei que não é minha, que não foi das minhas amigas, por mais que elas afirmem que foi. A culpa que jogaram pra cima da gente sem dó.
Quer saber se eu tenho dó de homem exposto com hashtag? Tenho não. Por mais que seja um assunto complexo e delicado, não é difícil ser homem numa sociedade que começa a ver mulheres se mobilizando não, querido, difícil é ser mulher. Tenho dó não. Se você ouvir minha história vai fazer cara triste, mas no fundo vai achar que não foi nada demais. Mas eu precisei de um banho de água fervendo depois, misturado com minhas próprias lágrimas, pra lavar um pouco do que eu senti naquele dia. No dia ninguém teve dó de mim.
Por esses motivos, digo aos meus amigos, pois sei que tenho alguns muitos respeitosos e que se esforçam pra não ser o #amigosecreto de ninguém: por mais que vocês tentem entender, porque mais que vocês queiram ser bons, por mais que vocês se esforcem, vocês nunca vão saber como é até acontecer com vocês, por isso, sejam cuidadosos em suas colocações sobre o assunto.
Enfim, não me peçam pra contar quem foi e quando foi. Meu intuito aqui não é expor uma pessoa, mas sim uma sensação. Compartilhar essa experiência é algo que eu só posso fazer se me sentir segura e não me sinto segura no contexto atual.
Para as mulheres, minhas amigas, minhas familiares, que passam pelo que eu passei, só tenho a desejar que tenham força pra fazer um escândalo na hora, pra dizer o não, pra se impor como for preciso. Nós estamos muito ferradas e muito marcadas por todas essas sensações horríveis, mas precisamos ser fortes, não apenas por nós, mas pelas meninas que um dia virão.

Espero que minhas alunas e minhas filhas, se um dia tiver algumas, não se sintam culpadas por serem mulheres. E é nesse futuro hipotético que me apego, porque no presente a coisa ainda tá é bem ruim. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sobre silêncio: não gosto

Essa é a afirmação principal da reflexão maluca que eu pretendo fazer aqui hoje: não gosto de silêncio.
Agora, os motivos por trás desse não gostar é o que eu quero desvendar.
Estava eu aqui em casa, deitada no sofá, jogando joguinho no celular com o volume alto, com a tv ligada e o computador tocando umas musiquinhas e eu estava me sentindo muito confortável. Foi aí que pensei "mas que maluquice! esse barulho todo e você se sentindo tranquila aí". Acontece que no meio dessa barulheira eu esvazio um pouco a minha cabeça. Não sei exatamente se esvaziar é a palavra correta. Acho que está mais para: no meio dessa barulheira toda, tenho mini pensamentos sobre tudo e sobre nada e não me aprofundo em nenhum deles.
Gosto disso pois quando eu me encontro num silêncio total, os pensamentos começam a se aprofundar e a me incomodar. E geralmente não são pensamentos muito positivos, fato que me deixa meio chateada com a vida.
O silêncio parece comentar meus pensamentos como alguém que quer estimular uma sensação de solidão. Às vezes eu encaro essas conversas com o silêncio, às vezes eu dispenso.
Quando eu ligo muitos aparelhos eletrônicos não dá pra ter esses pensamentos e diálogos solitários com o silêncio. Aí eu consigo descansar minha cabeça um pouquinho.
Acho importante dizer que eu gosto muito de pensamentos profundos, mas de preferência em pequenas doses, pois assim eles não me deprimem tanto.
E também gosto mais de pensamentos profundos debatidos com outros, os solitários é que geram chateação.  Consigo conversar sobre as questões complexas da vida, do universo e tudo mais com alguém por horas sem me sentir nem um pouquinho triste.
A questão final é: cada um cuida da sua saúde mental/emocional do jeito que acha melhor. Eu gosto de pensar pensamentos profundos, mas em alguns momentos PRECISO não pensar em nada.
Ou, no mínimo, pensar fragmentos de pensamentos que passam velozes enquanto uma música toca e um jogo de futebol é narrado muito longe daqui.

E esse foi mais um exercício de exteriorização de maluquice.

domingo, 3 de maio de 2015

Sinceridade brutal

Uau! Que dias bons! Teve feriado, gosto disso. Consegui descansar o corpo (dormi MUITAS horas) mas minha cabeça continua aqui exausta em movimento pensando mil pensamentos que eu nem queria pensar, eu acho. 
Eu ia escrever sobre festa, já que sexta, depois de muito tempo de abstinência, fui pra festa e não quis ir embora cedo. Mas aí a onda desse pensamento já passou e vou falar de outra coisa. 
O assunto que anda pulando inquieto no meu cérebro nesse belo domingo ensolarado é: sinceridade. 
Na real, é a falta de sinceridade do ser humano que anda me encucando. 
Ontem tava conversando com um amigo meu sobre a forma como as pessoas se expressam (não estava conversando de uma forma muito clara pois havia espumante envolvido, aí lembro do conteúdo mas não da forma como as coisas foram ditas) e como eu gostaria que os seres humanos se colocassem com mais clareza, sem indiretas, enigmas e coisas sujeitas à interpretação alheia. 
O ponto é: eu não confio na minha interpretação das pessoas. Por isso eu gostaria que elas fossem um pouco mais diretas comigo. O fato de eu não confiar na leitura que eu faço das pessoas me faz gastar horas pensando sobre as relações humanas e minha vida ia ser muito mais simples se eu não tivesse que interpretar os outros (minha grande dúvida é se eu vou gostar de uma vida mais simples, mas isso é assunto pra outra hora). 
Aí eis a questão: e eu? Eu me expresso com clareza? Pois é, não. Tenho uma dificuldade imensa em ser o que eu vou chamar aqui de "brutalmente sincera". 
Acontece que eu gosto muito de falar a verdade pras pessoas e evitar mentir e enganar, é tipo uma filosofia de vida. Mas acontece também que eu dou uma maquiada e uma enfeitada nas verdades que coloco no mundo para que elas pareçam mais agradáveis. E também porque eu acho que se eu for brutalmente sincera as pessoas vão achar que eu sou louca e por algum motivo isso me afeta pra caralho. 
Maquiar minha sinceridade com belas palavras é uma merda, pois, já que não estou sendo clara e direta, também estou deixando que os outros interpretem do jeito que quiserem o que eu estou dizendo (eu sei que não tem jeito, as pessoas vão interpretar de acordo com a sua subjetividade, mas acredito que existem mensagens que queremos transmitir e acabamos falando outra coisa por medo de falar diretamente). E já que eu me irrito com a falta de clareza através da qual os outros se comunicam comigo, eu deveria começar a trabalhar isso em mim e passar a exercitar minha sinceridade brutal. 
Estou escrevendo isso pois estou disposta a tentar ser mais direta com o universo a partir de agora. Acho que vai ser difícil e sofrido, mas se eu estou surtando com a forma como as coisas estão, não custa nada mudar e ver se eu surto um pouco menos. 
Então se você convive comigo e sente que eu estou maquiando minhas palavras pergunte se eu não quero usar minha sinceridade brutal. 
Se você não convive comigo e eu for brutalmente sincera com você, não vai ser nada pessoal, é um exercício que eu vou tentar fazer e tudo mais. 

Acho que já consegui tirar um pouco dos pensamentos incômodos da minha cabeça. E vale a pena lembrar que muitas vezes o "brutalmente sincera" vai vir acompanhado de algumas latas de cerveja no meu organismo (no máximo umas três, só pra dar um gás). O próximo objetivo de vida é conseguir exercitar isso sem a necessidade da cerveja. 

Por agora, é isso. 
Boa sorte para todas as pessoas. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Justificativa

É o seguinte: hoje acordei com uma puta dor de cabeça e já entediada. Existe algo importante a se saber sobre mim: quando estou entediada, penso muito. Quando penso muito, surto e acho o mundo um lugar horrível para se viver. Isso acontecia pouco há um tempo atrás, mas ultimamente está tão frequente que começou a afetar a minha vida e as minhas relações com as pessoas com quem eu me importo.
Sendo assim, falei com a minha terapeuta (que sou eu mesma, um pouco menos surtada, que tenta procurar soluções para as caraminholas da cabeça com uma frequência absurda) e ela, como sempre, disse que eu devo escrever sobre isso. Ela ficou me lembrando que quando eu tinha, sei lá, uns 17 anos, eu costumava escrever uma espécie de diário todo dia e não tinha vergonha de mostrar isso pra ninguém. Hoje, com 25, eu escrevo pouco e morro de vergonha das pessoas. Tenho vergonha de ser taxada de ridícula, depressiva, desocupada... E é por isso que ela, que no caso sou eu mesma mais centrada, mandou que eu voltasse a escrever muito.
Parte importante disso também é mostrar para todo mundo que quiser ler, pra perder a vergonha e o medo da opinião alheia. Ando sentindo que esse medo dos outros está me paralisando em alguns aspectos da minha existência e quero me livrar disso.
Por isso, vou pegar esse meu novo blog (perdi a senha do velho, da minha adolescência, que é bem engraçadinho de se ler hoje em dia) e transformar ele num diário maluco. Vou tentar escrever muitas vezes por semana, sobre meu dia, sobre meus surtos, meu trabalho, minhas novidades e vou expor "nas tora". Quem quiser ler que leia, quem achar ruim é só não ler (ninguém é obrigado).
Espero que isso dê certo e me ajude de alguma forma a me tornar uma pessoa menos maluca. Espero que pelo menos me ajude a me sentir menos maluca. Ou que talvez, me ajude a aceitar minha maluquice. Sei lá.
Ah! Vou escrever bonitinho de vez em quando e em outros momentos vou escrever correndo e assassinando a gramática de todas as formas possíveis. Não reparem, é pra ser mais uma coisa desabafada, falada, do que poética. Mas é importante deixar claro que também tenho surtos poéticos e acho que sou uma espécie de escritora brilhante não compreendida.
Ai vou mudar o visual desse espaço virtual, acrescentar umas coisinhas de blogueira adolescente pra lembrar do passado em que eu gostava de escrever e tudo mais.
Por enquanto é isso.
Espero que quem venha ler isso aqui ache, no mínimo, engraçado (até ridículo, se quiser).
Boa sorte pra nóis.