quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Se a minha vida fosse um filme...

Se a minha vida fosse um filme... ela não seria um filme. Fato, esse filme nem existiria. Eu não sou do tipo que protagoniza nada, que se destaca por nada. Eu sou do tipo coadjuvante, ou figurante, em alguns casos.
Talvez eu fosse a melhor amiga de alguém no filme dessa pessoa, mas a minha história não daria um filme.
Digo isso porque, olhando pra traz, percebo o quanto eu abri mão de viver as minhas vontades em prol de outros. E sim, esse processo se dá de forma inconsciente por mim e eu arrumo um milhão de justificativas afirmando pra mim mesmo que é para o meu bem. Mas, acreditem, em alguns momentos eu consigo enxergar que não é.
Eu digo sempre que sou o tipo de pessoa que gosta de ajudar os amigos, e sou mesmo. Quantas vezes saí da cama de madrugada pra conversar com alguém que estava mal? Por quantas horas ouvi relatos desnecessariamente detalhados de acontecimentos alheios, só para ajudar alguém a encontrar uma solução? Quanta vezes alguém quis a mesma coisa que eu e eu abri mão, mesmo me sentindo mal, para que o outro pudesse ter o que desejava? Acreditem, foi mais do que eu gostaria.
Um amigo meu hoje me lembrou de uma expressão que outro amigo meu usava pra me descrever a tempos atrás: eu sou uma engrenagem. Eu ajudo a funcionar, eu ligo setores e fatores, eu dou o impulso. Quando vejo que já não sou mais utilizável, eu mesma me "descarto" da máquina que é a vida das pessoas com as quais eu me importo.
Ninguém faria um filme sobre uma engrenagem que ajuda uma supermáquina a funcionar. As engrenagens até aparecem nos filmes, mas são detalhes e não destaques.
O que eu acho mais triste é chegar a essa conclusão. Uma coisa é alguém perceber que eu sou coadjuvante na minha própria vida. Outra sou eu conseguir afirmar isso.
E aí vem o pior: não saber como mudar isso. Eu realmente não sei, é o meu "modus operandi" há tanto tempo que não sei como deixar de agir dessa forma.
E também tem o fato de que eu me coloquei em situações como coadjuvante que vão ser difíceis de largar.
Eu só digo que eu queria largar, que eu queria estrelar, pelos menos por um tempo, os meus acontecimentos. Melhor, eu digo que vou tentar, mas não posso prometer, nem pra mim mesma, que vou obter algum sucesso nessa jornada.

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