Eu sou uma pessoa muito apegada, uma vez que eu gosto das pessoas, gosto muito e quero elas sempre perto de mim.
Mas tenho aprendido que nem sempre esse negócio de gostar e ter sempre perto de mim não anda funcionando muito bem.
Penso que preciso ser menos apegada e aceitar que perdemos algumas coisas e que ganhamos algumas coisas.
Penso que esse é o ciclo da vida e lutar contra ele só causa sofrimento.
Na verdade, decidi que ia me esforçar em me desapegar e aceitar que eu vou perder coisas e pessoas.
E gostaria que a decisão em si já solucionasse meus problemas, mas tenho consciência de que isso não é verdade.
Decidir é dar início ao processo, apertar o start, dar o primeiro passo.
E eu até que estou conseguindo lidar com os vários conflitos internos que tenho diariamente.
Mas tem hora que é mais difícil.
Essa hora difícil é a hora do detalhe.
Sempre fui muito apegada a detalhes, por vários motivos.
Sempre gostei de pequenos gestos, de trechos de músicas que marcam momentos, de uma troca de palavras específicas, de piada interna, de detalhes nos rostos das pessoas, nas mãos, no jeito em que elas se movem...
Minha memória fica escrita e registrada nesses detalhes, que vivem reaparecendo e me lembrando de pequenas grandes coisas que eu senti
E ultimamente eu gostaria, sinceramente, de deletar muitos pequenos detalhes que eu vejo por aí.
Pois são eles que me impedem de dar seguimento ao meu plano de aceitar que muitas coisas ainda vão se perder e muitas coisas ainda vão chegar
E eu não gosto de ter um plano e nem um discurso diferentes da minha prática.
E eu quero que as horas de detalhes acabem.
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