Quando eu tinha 15 anos mnha melhor amiga de infância, da mesma idade que eu, morreu. Foi a primeira vez que eu lidei com a morte de maneira tão próxima. Esse episódio me marcou, pois, desde então, nunca mais consegui ficar sozinha em ambientes fechados e escuros sem ter um surto.
A morte é um assunto delicado para mim. Achava que era só no caso de pessoas e hoje eu descobri que também é no caso dos bichinhos.
Minha gatinha, Monstra, estava em casa, tranquila comigo. Fiz carinho, ela comeu um pouco, deitou na minha perna enquanto eu escrevia meu artigo.
Quando me arrumava para sair de casa, ela começou a miar, meio chorando. Normal, ela sempre mia assim quando a gente tá pra sair.
Saí e meu irmão a encontrou já bem ruinzinha.
Ele procurou por um veterinário 24 horas, mas não achou a tempo.
Monstrinha morreu depois de poucos dias conosco. Isso me entristece. Me sinto culpada e acho ruim não saber a causa da morte dessa pretinha que em poucos dias ganhou meu coração.
Ela recebeu, em uma semana, todo o amor que eu tinha acumulado dentro de mim. Amor esse que eu não considerava que os humanos eram dignos de receber, pois eles não são mesmo.
Hoje, mais cedo, ela tentou se arriscar, pulando da estante da tv para a mesa. Ela caiu, talvez tenha se machucado e por isso morreu.
Talvez ela tenha comido algo e engasgou.
Mas eu devia ter levado ela no veterinário no dia em que ela chegou aqui e não levei, por não ter dinheiro na ápoca. Pensei que ela aguentaria até eu receber, no mês que vem. Não aguentou.
Foi-se a Monstra, sem ter recebido, ainda, todo o amor acumulado que eu tinha.
Mas eu dei todo o amor que podia dar nos poucos dias em que ela esteve aqui. E sei que o meu irmão também o fez.
Agora só vou ter outro bichinho quando tiver dinheiro suficiente para levá-lo no veterinário assim que ele passar a morar comigo.
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