Na minha busca por alguma coisa que eu ainda não sei o que é, vez ou outra eu me deparo nessa situação.
Sinto como se estivesse perdida.
Dentro de mim mesma.
Eu prefiro estar perdida na rua, que dá-se um jeito de se encontrar.
Quando a gente se perde dentro de si mesmo é que é complicado.
Mas na verdade, eu tenho certeza: nunca me encontrei.
Nem mesmo esbarrei em mim mesma sem querer por aí.
Eu sempre me procurei, isso é fato.
Acho que talvez, agora, escrevendo, eu tenha entendido o motivo pelo qual essa sensação de estar perdida está me angustiando.
Deve ser porque eu não me sinto perdida numa floresta, ou numa cidade.
Parece mais que fui jogada dentro de um furacão e que tudo está passando muito rápido ao meu redor.
E tá tudo muito misturado e não dá pra distinguir a forma de nada.
Só vejo as cores correndo em volta de mim, vislumbres de coisas, todas distorcidas e em constante movimento.
Vou esperar essa loucura passar.
Ela passa, eu sei.
Vou esperar que em breve as cores vão virar formas e eu vou conseguir reorganizar tudo.
E a sensação de vertigem vai passar.
Sempre passa.
E sempre volta.
É assim que é.
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